Como tornar as equipes mais igualitárias e reduzir o turnover

Avatar
VTEX
19 mar 2020
Flavia Vergili, nossa responsável global pelo departamento de People & Places
Reading Time: 4 min

Para dar continuidade ao mês da mulher, convidamos Flavia Vergili, nossa responsável global pelo departamento de People & Places, para uma conversa franca e honesta sobre as desigualdade de gênero na tecnologia e o que a VTEX tem feio para modificar este quadro. Acompanhe a entrevista abaixo.

 

Flávia, obrigado por topar participar deste bate-papo com a gente. Como uma mulher líder em uma empresa global, quais são as estratégias para tornar a VTEX uma empresa com mais igualdade de gênero e aumentar o número de mulheres nos escritórios?

 

Na VTEX temos um grupo de diversidade que está sempre discutindo possíveis iniciativas que podemos ter junto aos colaboradores e também tendências que descobriram de outros lugares que podemos aplicar.

O time de People & Places está focado no processo de educação corporativa em relação a diversidade e estamos aproveitando o mês de março para fazer ativações sobre mulheres no ambiente de trabalho. As empresas estão se adequando a estas mudanças e nós devemos estar à frente disso criando ambiente justo e com equidade.

 

A participação das mulheres no mercado de tecnologia ainda é muito pequena. Qual o papel das empresas do segmento para, não só modificarem este número dentro dos escritórios, mas também incentivar mulheres a entrarem para o ramo da tecnologia?

 

O primeiro passo é a educação. É muito importante trazer esse tema para ser debatido nas empresas para tirar o preconceito inconsciente em alguns casos e discutir este assunto que às vezes é tabu em muitos lugares.

Não adianta ter um processo seletivo que se considera sem bias, fazendo as etapas de seleção de currículos sem identificação de gênero ou até mesmo exigir que na etapa final tenha mulheres, se a empresa ainda não trabalhou a educação do tema internamente.

Caso a empresa ainda não tenha criado esse ambiente receptivo,  pode ser possível contratar estas profissionais. Porém, não conseguiremos retê-las, pois o ambiente não será agradável de se trabalhar.

O amadurecimento do processo de inclusão vai facilitar na atração destas profissionais e as empresas que estão focadas neste desenvolvimento interno vão conseguir reduzir o turnover.

As empresas também podem criar comitês de diversidades para trabalhar esse tema internamente e isso também ajuda muito nesse processo por criar parceiros internos vocais sobre esse tema. Lembrando que essa iniciativa também tem que vir da liderança que vai constantemente reforçar esta inclusão.

 

Qual a importância de termos mulheres como líderes no mercado de tecnologia?

 

Temos diversos casos na história que comprovam que mulheres são capazes de se destacar nesse mercado, como Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson na NASA que mudaram o rumo da história em uma época que a desigualdade de gênero e raça era ainda muito maior.  Precisamos ser protagonistas das nossas carreiras e demonstrar a capacidade que temos no mercado para acabar com esse preconceito sobre a diferença de gênero.

Está comprovado que ter colaboradores diversos traz benefícios para as empresas como redução de turnover, mais criatividade e inovação, redução de conflitos, melhores resultados e até melhora a cultura.

O mercado de tecnologia é predominantemente ocupado por homens, o que quer dizer que na VTEX este assunto deve ser uma prioridade, pois, essa mudança terá um impacto positivo no negócio e no ecossistema.

Precisamos inserir programadoras no mercado de trabalho para poder combater a desigualdade de gênero, caso contrário cada  este gap aumentará cada vez mais.

Quanto a ter mulheres na liderança, o impacto dos benefícios são ainda maiores por conta da diversidade, além do efeito inspiracional que isso terá nas mulheres da empresa e mercado provando que os top performers serão reconhecidos sempre, independente de gênero, etnia ou idade.

 

A VTEX decidiu falar abertamente sobre este tema com seus colaboradores, mas muitas empresas optam por não se aprofundar no debate. Este é um desafio para a imagem da companhia? Por que escolhemos este posicionamento?

 

A primeira ação para se resolver um problema é reconhecer que ele existe. A VTEX está certa em trazer esse tema à tona e nós vamos trabalhar fortemente para reverter esse cenário.

Ao falar  abertamente, influenciaremos outras empresas positivamente para assumirem essa postura mais consciente. Essa é nossa responsabilidade social, pois acredito que temos esse impacto pelo menos dentro do ecossistema de e-commerce.

Legal comentar, também, que nossa cultura é forte exatamente por todos terem uma voz ativa e poderem se posicionar sem nenhuma retaliação, queremos poder tratar esses temas de forma transparente pois só assim vamos conseguir evoluir como organização.

 

É mais fácil entendermos que é possível fazer grandes trajetórias na carreira quando temos inspirações. Quem são as mulheres que te inspiram como líder?

 

Na minha carreira eu tive algumas líderes que me apoiaram pro meu desenvolvimento e sempre me proporcionaram autonomia que acredito que me ajudou no meu amadurecimento como profissional.

A Lívia Borela, que atualmente é a CHRO da BRK Ambiental, trabalhei com ela em duas empresas e independente do local me mostrou muito forte a ética de trabalho e como os valores são questões muito fortes a serem seguidos, além de subir sempre a minha régua nas minhas entregas.

Outra referência foi a Susan Catalano, que foi minha gestora anterior na WeWork. Ela sempre me proporcionou autonomia, me empoderou para tomar decisões estratégicas na região e principalmente se preocupou comigo como ser humano.

 

Para encerramos, quais são os desafios de ser uma líder em um cargo global? E os aprendizados?

 

O primeiro desafio é criar processos que sejam escaláveis independente do país. Para área de People, por questões trabalhistas locais, temos dificuldade de fazer uma atuação mais automatizada, por isso é essencial ser capaz de encontrar um sistema com essa capacidade global, ou criação de processos e treinamentos que sejam capazes de conseguir trabalhar com essa diversidade.

Outro aprendizado é lidar com as diferenças culturais que podem impactar a relação dos stakeholders de maneiras distintas. Uma curiosidade: no Brasil é comum cumprimentar um colega de trabalho com beijo na bochecha, porém em alguns países asiáticos isso pode ser considerado como uma ofensa.

Ocupar uma posição global é desafiador e dinâmico. Um aprendizado interessante é que não se sabe tudo que está acontecendo ao redor do mundo, logo é necessário estabelecer relações de confiança entre times, gestores, parceiros e clientes.