O e-commerce não é exclusividade das grandes redes varejistas, que viram no mercado online a oportunidade de expandir os seus negócios. Montar uma loja virtual é o desejo de muitos que adentram no mundo do empreendedorismo digital. No entanto, o e-commerce não é atividade para amadores. Se você não fizer o procedimento correto no início, é provável que seu empreendimento fracasse. Afinal, um mercado que faturou R$ 44,4 bilhões no último ano, somente no Brasil, possui uma concorrência voraz e não abre espaço para aventureiros.
É preciso fazer um planejamento concreto, ter uma equipe bem preparada e possuir um orçamento adequado para investir. Isso apenas para começar. Após montar uma loja virtual, ainda há todo o processo de gestão e constante aperfeiçoamento.
Portanto, siga o nosso guia completo para montar uma loja virtual. Você vai entender como fazer um planejamento e se preparar para ingressar no mercado.
Parte I: Planejamento
O planejamento de um negócio envolve diversos fatores essenciais. Com o e-commerce não é diferente. Mais ainda, montar uma loja virtual exige alguns elementos a mais a serem pensados e colocados no papel.
O seu plano de negócios precisa envolver desde decisões aparentemente mais simples, como mix de produtos, até preço, estoque, plano de marketing e logística.
Vamos ver detalhadamente os passos elementares para se criar um planejamento para montar uma loja virtual.
1. Definindo o mix de produtos
Aqui existem dois tipos de lojistas, aqueles que estão na sua primeira viagem e aqueles que já possuem lojas físicas. No segundo caso, o desafio é mais simples, pois você já possui lojas físicas que podem dar informações sobre quais produtos mais vendem.
Mas fique atento, é comum que os produtos que mais vendem na internet não sejam os mesmos das lojas físicas, afinal, o cliente tem outro perfil. Além disso, é comum vermos o valor médio ser um pouco superior, algo em torno de 5% a 10%, quando comparado com as lojas físicas.
Agora, se você vai montar sua primeira loja, sua tarefa é, provavelmente, mais complicada. Você terá mais riscos de comprar produtos com pouca saída. Talvez uma boa saída seja trabalhar com crossdocking por um período até ter mais dados para trabalhar.
Porém, existem duas ferramentas que você pode utilizar para prever melhor os itens mais vendidos. A primeira é utilizar o Google Trends. Essa ferramenta dará uma boa ideia do volume de pesquisa para cada palavra ou termo, logo, a tendência é que itens mais buscados vendam mais.
A segunda é trabalhar no próprio site de concorrentes com a ferramenta de itens mais vendidos. Ela também nos dará muitas informações relevante para nossa decisão.
2. A curva ABC
A curva ABC é um método de classificar itens de acordo com a sua importância relativa. O objetivo desta análise é definir agrupamentos de itens que tenham níveis variáveis de significância e, portanto, devem ser processados ou controlados de maneiras diferentes entre si.
A análise é baseada no princípio de Pareto, também conhecido como a regra 80/20. Ela estabelece que, para muitos eventos, aproximadamente 80% dos efeitos se originam de 20% das causas. Porém, nesse exemplo vamos flexibilizar um pouco a regra:
- curva A será representada pelos itens que você acredita que responderão por 50% das suas vendas;
- curva B será equivalente a 30% das vendas;
- curva C representará 20% das vendas.
Veja que, em nosso exemplo, assumimos o volume de vendas de cada um dos itens baseado na pesquisa do item 1. Com o tempo, você terá mais dados e maior precisão para ajustar a participação de cada item.
A ideia é que com a evolução da sua loja, você possa identificar com precisão aqueles itens mais representativos até que a proporção se torne 80/20 conforme falamos anteriormente.
3. Compras
Para sabermos quanto devemos investir em estoque para cada item, vamos supor que nossa loja venderá R$ 30 mil por mês, pelos 3 primeiros meses.
Como vimos acima no item 2, a nossa curva A é a principal, ou seja, a que contém os itens que mais vendem na loja. Portanto, para ela, precisamos investir mais capital para comprar produtos.
Aqui vai da experiência do gestor na definição de quanto ele deveria alocar de recursos para essa curva e as demais, a fim de otimizar os custos. Mas aqui vai uma fórmula que pode pode ser o ponto de partida.
Primeiro, devemos calcular o custo da mercadoria vendida, o CMV. Para fins de exemplo, vamos supor que ele é de 40%. Portanto, se vamos vender R$ 30 mil, R$ 12 mil são custos diretos de mercadoria.
A regra funciona da seguinte maneira:
- para os itens da curva A, será investido o equivalente a 60 dias o CMV, ou seja, valor de R$ 24 mil;
- para os itens da curva B, o valor investido será de 45 dias o CMV, R$ 18 mil;
- para a C, o valor será de 30 dias o CMV, R$ 12 mil.
No fim, teremos um total ideal de investimento em estoque de R$ 54.000, separados da forma como foi apresentado no nosso exemplo.
Se você não dispor de todo o capital necessário, atenção. Você pode trabalhar com menos valores, mas sempre priorize os itens da curva A.
4. Como montar o plano de marketing
Tendo todos os pontos acima definidos, chegou o momento de montar o plano de marketing. Vamos nos ater a dois elementos essenciais: as personas e a jornada de compras.
Personas
Esta é a primeira etapa do processo, em que começarmos a traçar qual é ou quais são as Personas que comprarão na loja. Diferentemente de público-alvo, neste momento tentamos literalmente descrever uma pessoa, por isso o nome.
Para ajudar, aqui vão alguns critérios que você deve seguir para a criação da Persona.
- o que ela pensa e sente;
- o que ela vê;
- o que ela fala e faz;
- o que ela escuta;
- quais são suas dores;
- quais são seus objetivos.
Jornada de compras
Agora que conhecemos nossa ou nossas Personas, temos que nos focar em definir quais são as etapas que ela percorre até realizar a compra, ou seja, qual é a jornada de compra.
Resumidamente, temos 4 etapas:
- Descoberta e Consciência;
- Consideração;
- Decisão;
- Fidelização.
Para cada uma dessas etapas, você conseguirá definir quais são os canais de comunicação e o conteúdo pertinente para sua Persona. Se, por exemplo, você trabalha com moda, provavelmente o Instagram e o Pinterest são ferramentas pertinentes ao seu negócio, e trabalhar com blogueiras pode ajudar nas etapas iniciais como descoberta e consciência.
5. Sistemas
Aqui vamos tratar dos dois principais sistemas que você terá na sua loja virtual: a plataforma e o ERP.
Plataforma de e-commerce
A definição da melhor plataforma para a sua loja é uma tarefa árdua e depende muito do seu conhecimento de e-commerce. Aqui vão algumas dicas que podem ajudar você a escolher a melhor plataforma:
- funcionalidades: cada sistema possui características diferentes, e saber determinar quais são as mais importantes para a sua loja é fundamental. Uma funcionalidade extremamente importante é um checkout em apenas uma página, sem login e senha e com one click buy, a compra com um clique;
- custo agregado: a plataforma deve ser encarada como um agente de marketing, afinal, ela é a ferramenta que converte visitantes em vendas. Portanto, um dos principais conceitos a serem utilizados é o Custo Agregado;
- suporte: o suporte é prestado pelo seu fornecedor? Ele é técnico ou de negócios? Você precisará de outros fornecedores?;
- atualização: em 6 meses, o comércio eletrônico muda completamente e você deve acompanhar essa evolução. O seu fornecedor tem capacidade de inovar constantemente?
ERP
Se a plataforma trabalhou para gerar um pedido para a sua loja, agora é a vez do ERP fazer o seu papel de gestor. A partir de agora, ele será responsável por diversos processos, com objetivo de automatizar e gerar eficiência.
Seguem as principais atribuições de um ERP que você deve considerar:
- catálogo de produtos: é o primeiro sistema a receber o cadastramento de um cliente e, a partir daí, integra-se com os demais sistemas;
- classificação fiscal: o controle da carga tributária é de responsabilidade desse sistema;
- gestão de compras: diversas funcionalidades e relatórios ajudam a otimizar a gestão de compras e inventário;
- fluxo de expedição: todo o controle, desde a entrada de produtos até o envio para o cliente, é automatizado pelos ERPs;
- controle financeiro e gerencial: contas a receber, contas a pagar, fluxo de caixa, capital de giro e relatórios que ajudam a tomada de decisão.
Parte II: Como montar uma loja virtual
A partir de agora, chegou a hora de começar a montar a sua loja virtual. Essa etapa é crucial para o sucesso, afinal, com o plano em mãos, precisamos lançar a loja e, principalmente, tornar o plano em uma realidade.
Para que isso aconteça, vamos passar por algumas etapas essenciais:
- criação layout: envolve toda a parte visual da loja, desde sua estrutura até a implementação na ferramenta;
- configuração das regras de negócio: parametrização no sistema para que a loja se comporte da maneira desejada;
- integração com sistemas: basicamente estamos falando do ERP.
Layout
Talvez você deva estranhar o fato de começarmos pelo layout mas a grande verdade é que depois de definido como será a comunicação entre sistema e cliente, as demais tarefas se torma mais simples. Inclusive, é a partir dessa definição que algumas regras irão se moldar.
1. Wireframe
É o esqueleto da sua loja virtual. Em geral, são montados os wireframes das seguintes páginas:
- home;
- produtos;
- resultado de buscas;
- categorias (algumas vezes pode ser a mesma de resultado de busca);
- checkout (algumas vezes já padronizada pela plataforma, facilitando ainda mais o processo).
Essa etapa é talvez a mais importante do processo pois a criação do wireframe deve estar de acordo com:
- persona;
- jornada de compras;
- benchmarkings de mercado;
- melhores práticas de usabilidade;
2. Layout
Criado o esqueleto da loja virtual, agora é hora de colocar a roupa nela, ou seja, de criar o visual com as cores e elementos. Nesse momento, você deve se preocupar com:
- destacar os CTAs de maneira clara;
- implementar as boas práticas para aumento de conversão.
3. Implementação
Por último vem a fase de implementação e aqui, o importante é ter sempre uma agência especializada para fazer esse serviço. O seu site deve estar rápido e de acordo com as melhores práticas de SEO.
Para que você se certifique, aconselhamos as seguintes ferramentas:
- Webpagetest que irá mostrar como está o tempo de abertura da página;
- Google Page Speed que te mostra diferentes melhorias a serem feitas na loja virtual;
- W3 Validator para saber se há erros de código na página.
Uma outra dica importante é que você deve evitar códigos JS, principalmente aqueles que demandam muito tempo de carregamento. Isso pode diminuir a conversão da loja.
Vale a recomendação de uma agência digital especializada em e-commerce que poderá criar a arquitetura dentro das melhores práticas.
Configuração da loja
Uma vez que a implementação começa, sua agência está empenhada em implementar seu projeto. Nessa hora, começa o seu trabalho em configurar e montar sua loja virtual. Vamos passar por alguns dos principais pontos de atenção:
1. Cadastramento de produtos e categorias
É o coração da sua loja. Portanto, o cadastro de produtos deve ser muito bem feito. Para isso, atente-se a:
- foto: deve ser de qualidade e demonstrar os detalhes do produto;
- descrição: deve ser completa e conter as informações necessárias para que o cliente não tenha dúvidas;
- especificação técnica: deve conter todas as informações para que não haja dúvidas.
Além disso, crie conteúdos de qualidade para suas páginas de categoria e utilize técnicas de otimização para que você possa aparecer bem posicionado nos buscadores.
2. Logística
A configuração de frete é uma das etapas mais importantes e deve ser feita com muito cuidado. Você deve ter em mãos a sua tabela de frete e cadastrá-la na plataforma. Em geral, as plataformas já possuem integração com os Correios, o que facilita o processo.
3. Meios de pagamento
A VTEX possui integração com praticamente todos os meios de pagamento do mercado. Basta que você crie uma conta em um deles e configure na plataforma. É um processo simples e rápido.
Integração
A integração entre a plataforma e o ERP é um processo que deve ser feito com muito cuidado. Em geral, as plataformas já possuem integração com os principais ERPs do mercado. No entanto, é importante que você se certifique de que a integração está funcionando corretamente.
Para isso, você deve testar os seguintes processos:
1. Cadastramento completo de produto
Cadastre um produto no ERP e veja se ele aparece corretamente na plataforma. Verifique se todas as informações foram sincronizadas, como nome, descrição, preço, estoque, etc.
2. Disponibilidade de estoque
Altere o estoque de um produto no ERP e veja se a informação é atualizada na plataforma. Faça um pedido de um produto com estoque baixo e veja se o sistema se comporta da maneira esperada.
3. Pedido
Faça um pedido na loja e veja se ele é importado corretamente para o ERP. Verifique se todas as informações do pedido foram sincronizadas, como cliente, produtos, valores, etc.
4. Status do pedido
Altere o status de um pedido no ERP e veja se a informação é atualizada na plataforma. O cliente deve ser notificado por e-mail marketing a cada mudança de status.
Testes e lançamento
Agora que a loja está configurada e integrada, é hora de testar tudo para garantir que não há erros. Para isso, você deve criar cenários de teste e executá-los.
1. Criando cenários
Crie uma planilha com todos os cenários que você pode imaginar. Por exemplo:
- comprar um produto com cartão de crédito;
- comprar um produto com boleto;
- comprar um produto com dois cartões;
- comprar um produto com vale-presente;
- comprar um produto com desconto;
- comprar um produto com frete grátis;
- comprar um produto e retirar na loja;
- etc.
2. Realize pedidos
Agora, execute todos os cenários e veja se a loja se comporta da maneira esperada. Anote todos os erros encontrados e reporte para a sua agência.
Após corrigir todos os erros, é hora de lançar a loja. Parabéns, você montou a sua loja virtual!
Parte III: Gestão de loja virtual
Agora que a loja está no ar, o trabalho não acabou. Pelo contrário, ele está apenas começando. A gestão de uma loja virtual envolve diversas atividades que devem ser executadas diariamente.
Vamos ver algumas das principais:
1. Geração de tráfego
De nada adianta ter uma loja virtual se ninguém a visita. Portanto, a geração de tráfego é uma das atividades mais importantes. Para isso, você pode utilizar diversas estratégias, como:
- links patrocinados;
- SEO;
- redes sociais;
- e-mail marketing;
- marketplaces;
- etc.
2. Erros na gestão de estoque
Um dos erros mais comuns na gestão de uma loja virtual é a falta de controle de estoque. Isso pode gerar diversos problemas, como:
- vender um produto que não tem em estoque;
- não vender um produto que tem em estoque;
- perder vendas por falta de produto.
Para evitar esses problemas, você deve ter um controle rigoroso do seu estoque. Além disso, é importante que você utilize um sistema de gestão (ERP) para te ajudar nessa tarefa.
3. Preço acima da média
Outro erro comum é precificar os produtos de forma errada. Se o seu preço estiver muito acima da média do mercado, você não vai vender. Se estiver muito abaixo, você pode ter prejuízo.
Para precificar corretamente, você deve levar em consideração diversos fatores, como:
- custo do produto;
- margem de lucro;
- preço da concorrência;
- valor percebido pelo cliente.
Além disso, você pode utilizar ferramentas de precificação para te ajudar nessa tarefa, como a Sieve e a Precifica.
4. Taxa de conversão baixa
A taxa de conversão é uma das métricas mais importantes de uma loja virtual. Ela representa o percentual de visitantes que se tornam clientes. Se a sua taxa de conversão estiver baixa, você está perdendo dinheiro.
Para aumentar a sua taxa de conversão, você deve investir em usabilidade. Ou seja, você deve tornar a sua loja mais fácil de usar. Para isso, você pode seguir as nossas 6 dicas de como melhorar a usabilidade.
Montar uma loja virtual não é uma tarefa fácil, mas com planejamento e dedicação, você pode ter sucesso. Se você seguir o nosso guia, com certeza estará no caminho certo para evoluir cada vez mais o seu e-commerce.



