Estratégia

Cross Border: exportação do Brasil para o mundo

João Teixeira
João Teixeira September 10, 2021
Cross Border: exportação do Brasil para o mundo

O que é Cross Border e como essa prática vem ganhando força?

Cross Border trata-se do comércio transfronteiriço, no qual podemos comprar produtos online de outros países. Uma ótima alternativa para ecommerces! Afinal, seu mercado se torna mais abrangente atacando outras regiões além do Brasil.

De acordo com os dados apresentados pela consultoria italiana Finaria.it, o número de usuários de comércio eletrônico no mundo aumentou 9,5% na comparação anual em meio ao surto de coronavírus e atingiu mais de 3,4 bilhões de usuários em 2020. A tendência de aumento deve continuar este ano, atingindo 3,8 bilhões de usuários no final de 2021, com salto de 10% em um ano.

De acordo com pesquisa da Fierce Retail, 82% dos consumidores online já compram no exterior. O estudo entrevistou mais de 9 mil pessoas em 17 países que possuíam entregas cross border como parte significativa do ecommerce. Segundo projeções da Finaria.it, o mercado eletrônico mundial deve faturar $2,7 tri em 2021 e a previsão é de movimentar só no Brasil 4 bilhões de reais em 2022, de acordo com estudo do PayPal/Nielsen.

Vamos conhecer os números referentes às entregas globais?

Uma pesquisa em 41 mercados, mostra que a velocidade de entrega mais comum para compras internacionais foi de 15-29 dias (20%), com 11% dos entrevistados tendo que esperar 30 dias ou mais para a compra chegar. Isso sugere que o mercado de entrega tem muito espaço para melhorar em termos de trânsito e processos alfandegários, mas também mostra que o consumidor cross border aceita prazos maiores de entrega.

Qual é o comportamento atual do Brasil em relação ao Cross Border?

O Brasil está em crescimento em relação ao mercado internacional. Os valores das exportações nacionais entre 2020 e 2021 aumentaram em 57% (US$95 bilhões). Como principal comprador temos a China, que movimenta US$62 bilhões, em seguida EUA e Argentina, de acordo com estudo da Forrester Research/Paypal.

E o contrário? Os países que mais exportam para o Brasil são: China (60%), EUA (23%) e Japão (5%) e o tempo de entrega no Brasil está acima de 30 dias em 11% dessas compras. De acordo com a Kaleido Intelligence, mesmo com um grande mercado interno brasileiro, os itens mais importados são os eletrônicos.

As principais tendências no Cross Border

Utilizando como base também o estudo da Kaleido Intelligence, estima-se que os comerciantes em todo o mundo estão procurando expandir seu crescimento a partir de vendas diretas ao consumidor em mercados globais.

O transporte internacional e as vendas estão se tornando fundamentais para o crescimento futuro e permitirão que os comerciantes domésticos concorram com os principais mercados e sites de varejo que estão impulsionando as vendas internacionais. Consumidores em todo o mundo também estão abertos a compras internacionais e domésticas.

De acordo com a pesquisa do IPC – International Post Corporation de compras Cross Border 2019, o fator “menor preço em um país estrangeiro” seguido de “indisponibilidade da marca no mercado interno” foram os 2 principais impulsionadores das compras:

IPC Cross Border 2019

De acordo com a pesquisa, os sites mais comuns que praticam o Cross Border são: Amazon (25%), Alibaba/AliExpress (20%), eBay (14%) e Wish (11%). Para o comércio e a indústria, isso significa que o meio mais eficaz de competir em uma escala internacional é adotando uma estratégia de ter seu site próprio para fortalecer a marca e também disponibilizar seus produtos em marketplaces fora do Brasil. 

A pesquisa indicou também que a China é o principal exportador de comércio eletrônico em todo o mundo. Reino Unido, Alemanha e EUA também são países exportadores importantes para o comércio eletrônico cross border. Ao analisar todos os 41 países pesquisados: 39% deles tiveram suas compras enviadas da China, 14% dos EUA, 10% do Reino Unido e 9% da Alemanha.

Como os ecommerces brasileiros podem ampliar sua audiência para o mundo?

Vamos pensar em números: para abrir uma loja física, a empresa demanda de um capital inicial em torno de R$500 mil a R$1 milhão; em contrapartida, expandir seu ecommerce para diversos países é um projeto que tem um custo infinitamente menor e uma audiência muito maior, já que a população mundial atualmente já ultrapassou 7,874 bilhões e no Brasil somos 213 milhões.

Conforme o IPC, 62% dos consumidores consideram “muito importante” a clareza nas informações sobre as taxas e impostos em uma compra cross border, ou seja, a transparência influencia na conversão da venda. É fundamental um checkout que deixa claro todos os custos envolvidos – preço, frete e impostos – deixando o consumidor mais confortável em sua compra.

No ecommerce cross border, usamos o que é chamado de landed cost, termo que refere ao preço total de um produto, incluindo todos os custos que ocorrem até que ele seja entregue ao consumidor final. É um valor que abrange o transporte, taxas, custos alfandegários, seguro e embalagem.

No checkout cross border, o cliente já tem todas essas informações de forma unificada, já sabendo o que será pago, sem nenhum tipo de surpresa. Vale lembrar que cada país tem suas regras para exportação. Nos EUA, por exemplo, podemos exportar um produto de até 800 dólares sem a cobrança de impostos, somente de frete.

Qual o processo que acontece por trás dos bastidores dos ecommerces que desejam exportar?

Não são necessárias mudanças drásticas, muito pelo contrário, pequenas alterações já viabilizam essa operação.

Processo de Venda:
No caso da VTEX, o sistema está preparado para tratar tudo de forma automatizada. Em seu ERP, a Nota Fiscal simples deve ser alterada para um CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) de Exportação (CFOP 7000 – Saídas ou prestações de serviços para o Exterior). Com essa alteração é permitido entender se há ou não recolhimento de impostos sobre os produtos transportados.

O pedido faturado chegará dentro da sua plataforma VTEX, já com as informações da Nota Fiscal e através da ShipSmart, nosso parceiro de tecnologia e logística, toda documentação de embarque é gerada. Por fim define-se apenas a data de coleta (previamente na implementação de acordo com a particularidade de cada ecommerce). A coleta é feita pelo transportador logístico diretamente em seu CD ou local definido pelo vendedor.

Veja abaixo exemplo de exportação de comércio eletrônico do Brasil para os EUA:

Documentos de Embarque (variam de acordo com cada país)
– A (AWB) – Carta de documento para transporte aéreo;
– I (Invoice) – Nota Fiscal ou Fatura;
– P (Packing List) – Informa todas as mercadorias e/ou componentes da carga;
– N (Not Dangerous) – Declaração de Produto não Perigoso.

Coleta:

Informações do Envio:

SKUs – Produtos:

Para cada produto existe uma codificação que é utilizada internacionalmente, o HS CODE. Esse código permite que todos saibam qual é o tipo de mercadoria que será transportada para outro país e esse número é necessário para exportação.

E o que é NCM? Essa é a Nomenclatura Comum do Mercosul, que serve para categorizar as mercadorias a partir de um código que unifica o acesso das informações do produto. Esse código sempre deve ser informado na nota fiscal e outros documentos.

Como funciona a exportação direta (ou expressa) no Brasil?

Conforme o site da FazComex, temos um grande benefício de exportar na modalidade DDP (Delivered Duty Paid).
Termos Internacionais de Comércio são regulamentações que determinam aspectos e detalhes do comércio internacional de produtos. Através dessa norma é possível projetar e conhecer todos os gastos da negociação.

No INCOTERM DDP o exportador assume acima de tudo todas as responsabilidades e riscos do transporte, desde a origem até o endereço de destino estipulado pelo comprador. Nosso parceiro ShipSmart providencia todo o desembaraço e pagamentos de taxas, tanto no país de origem para exportação quanto no país de destino para importação, para facilitar a vida do lojista ou indústria. Na modalidade DDP, não haverá surpresas, pois o consumidor já terá pago as taxas antecipadamente.

A legislação brasileira permite exportação direta via courier de quase todos os produtos. Tanto para o mercado B2B quanto para os consumidores B2C. Hoje essa modalidade é pouco conhecida, mas possui um grande potencial de viabilidade de projetos cross border de forma ágil.


A exportação direta ou ativa é aquela em que você se responsabiliza por todo o processo de envio para o consumidor final. Ocorre isenção do IPI e não incidência do ICMS para o transporte. Trata-se, portanto, da alternativa com maior margem de lucro.

Como podemos visualizar, o processo se torna muito mais rápido e o comprador consequentemente tem uma experiência de compra positiva

Operacionalizar seu projeto Cross Border? Conheça nosso parceiro ShipSmart!

A solução ShipSmart realiza a gestão dos envios, calculando o frete e impostos em tempo real, além disso, possui parceria com as principais operadoras globais de frete e integração com a VTEX.

Basta instalar a API e começar a vender para mais de 200 países! A ShipSmart torna seu checkout global e o usuário que navega em seu site terá no mesmo momento o cálculo do frete e impostos. Além disso, cuida da entrega de ponta a ponta, desde o cálculo até o envio ao destinatário final.

Ao comprar o produto, já é possível visualizar o valor do imposto (tax) e o valor do frete (courier). O cliente que exporta já tem essas informações de forma simplificada e transparente. 

Sobre a ShipSmart:

A ShipSmart é uma startup brasileira de tecnologia que visa auxiliar seus clientes no processo de exportação. Nosso foco é no comércio eletrônico de vendas! Nossa solução é composta por:

  • Cálculo de impostos e taxas de importação em mais de 200 países;
  • Integração com tabelas de frete internacional que engloba tanto coleta quanto entrega no destino final (entrega porta-a-porta);
  • Integração com meios de pagamento para garantir que tanto a venda quanto o recebimento pelo lojista sejam em moeda local;
  • Geração de toda documentação de embarque de forma automatizada.

Quais são os benefícios?

O lojista cria a sua loja virtual VTEX em inglês, sem a necessidade de um distribuidor local, o que reduz custos de armazenagem e pagamentos de comissão, além das seguintes vantagens:

  • Prazo de entrega – De 2 a 10 dias, dependendo do Continente do cliente final;
  • Tabela de Frete Agressiva– Sem a necessidade de transportar grandes volumes para ter preços competitivos;
  • Pagamento – Permite ao consumidor final pagar em sua moeda local e ao lojista receber em reais na sua conta aqui no Brasil;
  • Custos de desenvolvimento do mercado no exterior – Se reduzem ao custo de frete e impostos do produto ao consumidor final;
  • Impostos e restrição ao produto – Previamente previsto pela solução ShipSmart;
  • Visibilidade da marca – A marca passa a ter relevância no mercado internacional;
  • Teste A/B de produto e mercado: Que produtos explorar fora do Brasil? Que país explorar? Que cidade abrir sua primeira loja física fora do Brasil? Suas vendas cross border respondem.
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