Por Matheus Baziloni
Nos últimos anos, vi muitas empresas acreditarem que customizar tudo é sinônimo de diferenciação. A intenção é legítima: criar experiências únicas, atender necessidades específicas, moldar a tecnologia ao negócio. Mas, na prática, muitas acabaram criando um labirinto de sistemas tão específicos que, ao invés de inovar, passaram a lutar diariamente apenas para manter o que já existe. Esse é um preço caro: financeiro, técnico e estratégico.
Existe um ponto em que a customização, antes vista como alavanca competitiva, se transforma em um obstáculo silencioso. Ela começa a drenar energia do time, aumenta exponencialmente a complexidade e desacelera a capacidade de reação ao mercado. E é justamente nesse ponto que muitos varejistas se encontram hoje, muitas vezes sem perceber.
Essas customizações raramente nascem grandes. Elas começam como uma regra específica de frete, uma lógica própria de carrinho, uma integração “temporária” que vira permanente. Cada decisão isolada parece inofensiva, mas, somadas ao longo dos anos, essas escolhas criam um ecossistema tão rígido que qualquer mudança passa a exigir um esforço desproporcional.
E quando o time se dá conta, a velocidade de inovação já não é mais a mesma. Os ciclos de entrega ficam mais lentos, os bugs se acumulam, a manutenção vira rotina. A pressão do time de negócio aumenta, pedindo evolução, escala e novas funcionalidades, mas a tecnologia está ocupada demais apenas tentando manter a roda girando. Nesse momento, a empresa precisa de frieza e racionalidade para enfrentar uma decisão difícil: abrir mão de parte do legado e migrar para uma solução de mercado. É dar alguns passos para trás para conseguir dar muitos passos para frente.
Os números mostram que isso não é exceção, é padrão. Segundo a McKinsey, cerca de 70% do esforço de times de tecnologia em empresas tradicionais é consumido por manutenção, não por inovação. Já a Gartner aponta que empresas com altos níveis de customização têm, em média, 35% mais tempo de implementação e 25% mais custos operacionais ao longo do ciclo de vida da solução. Ou seja: quem customiza demais buscando inovar acaba se afastando da própria inovação.
É nesse contexto que a VTEX, como plataforma SaaS, oferece uma resposta pragmática. Ela entrega algo que, sozinho, nenhum varejista consegue sustentar sem desviar energia do core: evolução contínua. Estudos da IDC mostram que empresas que migram para SaaS reduzem em média 60% do tempo gasto com manutenção e aceleram em até 45% o lançamento de novas funcionalidades. Isso acontece porque o SaaS oferece capacidades que já vêm prontas e evoluem constantemente: roadmap sem custo adicional, APIs abertas para customizações inteligentes, integrações nativas com meios de pagamento, ERPs e marketplaces, segurança e compliance nativos e custos operacionais muito mais previsíveis.
Com isso, o time interno deixa de ser um time de “manutenção de plataforma” para se tornar um time de crescimento, focado no que realmente gera valor: experiência, dados, jornada, marca, conveniência e inteligência comercial. Esse é o verdadeiro diferencial competitivo.
No fim das contas, as perguntas que realmente importam são simples, mas profundas: “Meu time está construindo diferenciação ou apenas mantendo o passado?” “A velocidade com que estamos entregando novas features nos coloca à frente ou atrás dos outros players?”
Customizar não é o problema. O problema é customizar onde não há valor. Reinventar tecnologia básica não gera vantagem competitiva. Pelo contrário: consome tempo, energia e foco que deveriam estar direcionados ao cliente. Simplificar, muitas vezes, é a decisão mais estratégica que uma empresa pode tomar e reconhecer isso pode ser justamente o primeiro movimento para voltar a inovar.
